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O que tem no Intense TX da Creamy e como ele clareia manchas

há 1 dia
6 min de leitura

O que tem no Intense TX da Creamy: três ativos clareadores — tranexamato mesilato de cetila (TX Vector™), Illuminyl™ 388 e adapalenato de oleíla —, num clareador de 30 g, de uso noturno. Cada um age numa etapa diferente da mancha: um freia o sinal que manda a pele pigmentar, outro corta a produção e a transferência de melanina, e o terceiro acelera a eliminação do pigmento que já está na pele.

Abaixo, o que cada ativo faz, o que os estudos de cada um mostram e como encaixar o produto na rotina. Se você quer só o passo a passo, vá direto ao guia de rotina noturna; se quer ver resultado de quem usou, veja o antes e depois. A composição completa está na página oficial do produto, e cada ativo tem verbete no nosso Glossário de Ingredientes Cosméticos.

As quatro etapas da mancha

A hiperpigmentação acontece quando os melanócitos — as células que produzem melanina — recebem estímulo em excesso: sol, inflamação (espinhas, por exemplo) e alterações hormonais. O processo tem quatro etapas:

  1. Sinalização — as células da pele "avisam" os melanócitos para produzir pigmento;

  2. Produção — a melanina é fabricada dentro dos melanossomos;

  3. Transferência — o pigmento é levado aos queratinócitos, as células da superfície;

  4. Renovação — a pele descama e elimina (ou acumula) esse pigmento.

Um clareador eficiente precisa agir em mais de uma dessas etapas. É o que o Intense TX propõe: três ativos, cada um numa fase. Esses quatro nomes aparecem na barra inferior dos infográficos abaixo, indicando onde cada ativo atua.

Tranexamato de cetila (TX Vector™): freia a sinalização

O ácido tranexâmico age no começo do processo: inibe a ativação do plasminogênio, modulando a conversa entre queratinócitos e melanócitos que dispara a produção de melanina. Na prática, abaixa o volume do sinal que manda a pele pigmentar. O Intense TX usa o tranexamato mesilato de cetila, um derivado lipossomado, desenhado para penetrar melhor.


Infográfico do Clube Skincare mostrando onde o ácido tranexâmico atua na pigmentação: ele inibe a sinalização entre queratinócitos e melanócitos, deixando um melanócito menos ativo ao lado de um mais ativo.
Etapa 1 — sinalização: o ácido tranexâmico reduz o estímulo que manda o melanócito produzir pigmento.

O que os estudos mostram:

  • Do derivado exato da fórmula: um sérum com 2% de tranexamato mesilato de cetila usado por 35 mulheres, duas vezes ao dia por 8 semanas, baixou o índice de melanina em 16,9% e o de vermelhidão em 34,3%, sem reações adversas no teste de irritação com 54 pessoas — da Silva Souza et al., 2021. Os autores são da Actera, fabricante do ativo, e a concentração do estudo não é necessariamente a do Intense TX, que a Creamy não divulga.

  • Do ácido tranexâmico em geral: metanálise com 11 estudos e 667 participantes encontrou queda média de 1,60 ponto no MASI, o índice de gravidade do melasma, com efeitos adversos menores — Kim et al., 2017.

  • Contra a hidroquinona: em 60 mulheres, tranexâmico tópico a 5% e hidroquinona 2% tiveram queda de MASI parecida em 12 semanas — mas nenhum efeito colateral no grupo do tranexâmico, contra 10% no da hidroquinona — Atefi et al., 2017.

  • A ressalva: uma revisão concluiu que a eficácia do ácido tranexâmico ainda não está adequadamente demonstrada e que faltam estudos maiores — Taraz et al., 2017.

Illuminyl™ 388: corta a produção e a transferência

O Illuminyl™ 388, da Givaudan Active Beauty, é um polifenol do chá verde (EGCG) glicosilado — na INCI ele aparece como galatil glicosídeo epigalocatequina. Ele entra nas etapas seguintes: melanogênese, atividade da tirosinase, maturação dos melanossomos e transferência deles para os queratinócitos.

Infográfico do Clube Skincare mostrando onde o Illuminyl 388 atua na pigmentação: formação de melanina, maturação dos melanossomos e transferência dos melanossomos do melanócito para os queratinócitos.
Etapas 2 e 3 — produção e transferência: o Illuminyl™ 388 age na formação da melanina, na maturação e na transferência dos melanossomos.


A glicosilação faz o EGCG penetrar melhor na epiderme, provavelmente usando o transportador de glicose GLUT1, e reduzir a melanogênese pela inibição de 13 genes — entre eles o MITF, regulador-mestre da produção de melanina. O açúcar da molécula ainda tem efeito prebiótico: aumenta a população de Lactobacillus da pele, que libera um metabólito clareador. Em quatro estudos clínicos cobrindo fototipos I a V, o ativo reduziu manchas e aumentou a luminosidade — Boira et al., 2024. Os autores são pesquisadores da própria Givaudan.

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Adapalenato de oleíla: acelera a renovação

Bloquear a produção resolve metade do problema. A outra metade é o pigmento que já está depositado na pele.

Aqui está a distinção que quase todo mundo erra: a fórmula traz adapalenato de oleíla, não adapaleno. O adapaleno é um retinoide de terceira geração registrado como medicamento. O adapalenato de oleíla é um pró-fármaco dele, de uso cosmético: chega numa forma mais tolerável e é convertido na pele. A Creamy usa o termo "Adapalenato" na página de composição. Se o seu interesse é o adapaleno medicamento, ele tem post próprio aqui no blog.

Ele estimula o turnover celular, acelerando a renovação da epiderme: as células carregadas de melanina são eliminadas na descamação natural e dão lugar a células novas, mais uniformes. De quebra, ajuda a desobstruir os poros — bônus para quem tem manchas pós-acne.



Infográfico do Clube Skincare mostrando onde o adapalenato atua na pigmentação: renovação celular, com células pigmentadas sendo eliminadas na descamação e novas células mais uniformes surgindo na epiderme.
Etapa 4 — renovação: o adapalenato acelera a descamação das células pigmentadas, dando lugar a células novas e mais uniformes.

E existe ensaio clínico do ativo em si, não só do medicamento de origem: um estudo randomizado e duplo-cego comparou adapalenato de oleíla a 0,5% com retinol a 0,5% em 48 pessoas, por 12 semanas. O adapalenato reduziu rugas 9,45% contra 4,11% do retinol, e a intensidade do pigmento 3,88% contra 3,15% — nesse quesito, empate estatístico. Também baixou a vermelhidão em 13,39% e foi mais bem tolerado que o retinol em todas as avaliações — Nguyen et al., 2024.

O que tem no Intense TX: os três ativos juntos

No mapa da pigmentação, cada ativo cobre um trecho:

Ativo

Onde age e o que faz

Tranexamato de cetila (TX Vector™)

Sinalização — reduz o estímulo à produção de melanina na origem

Illuminyl™ 388

Produção e transferência — menos melanina fabricada e menos pigmento chegando à superfície

Adapalenato de oleíla

Renovação — acelera a eliminação do pigmento já depositado

Um previne a mancha de nascer, outro impede o pigmento de se espalhar, o terceiro elimina o que já está lá.


Vale a honestidade: os estudos acima são dos ativos isolados, não da fórmula pronta.

Como usar

Por conter adapalenato, o produto é de uso noturno, em pele limpa e seca. A marca recomenda começar devagar: 1 a 2 vezes por semana, aumentando conforme a tolerância da pele.

E a regra de ouro de qualquer clareador: protetor solar todos os dias, reaplicado ao longo do dia. Sem fotoproteção, nenhum clareador entrega resultado — a radiação UV reativa todo o processo de pigmentação.

A fórmula traz também ácido salicílico, o que reforça a renovação, mas pede cuidado extra se a sua pele já está sensibilizada ou se você usa outros esfoliantes na mesma noite.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Consulte um dermatologista — especialmente se estiver grávida, amamentando, pretendendo engravidar ou usando outros ativos. A Creamy orienta que produtos com adapalenato não sejam usados nesses casos sem acompanhamento médico.

Perguntas frequentes

O Intense TX serve para melasma?

Os ativos da fórmula, em especial o ácido tranexâmico, têm estudos no contexto de melasma — com resultados positivos em metanálise e ressalvas em revisão. Como o melasma é crônico e multifatorial, o acompanhamento dermatológico é essencial.

Quanto tempo duraram os estudos?

Os ensaios citados avaliaram os ativos por 8 a 12 semanas de uso contínuo. Isso é a duração dos estudos, não uma promessa de prazo: a resposta varia de pele para pele.

Pode usar com vitamina C?

Em geral sim, em turnos separados: vitamina C de manhã, Intense TX à noite. Comparamos as opções da marca no post Vitamina C ou Vitamina C Gold da Creamy.

Tem adapaleno de verdade na fórmula?

Não. Tem adapalenato de oleíla, um pró-fármaco cosmético do adapaleno. O adapaleno em si é medicamento e não entra em cosmético.

Grávidas podem usar?

Não sem orientação médica. A marca desaconselha produtos com adapalenato para gestantes, lactantes e quem pretende engravidar.

A Creamy é confiável?

A gente já respondeu isso olhando registro, rotulagem e histórico da marca, em A Creamy é confiável?.

Referências

  1. da Silva Souza ID, Lampe L, Winn D. New topical tranexamic acid derivative for the improvement of hyperpigmentation and inflammation in the sun-damaged skin. Journal of Cosmetic Dermatology. 2021;20(2):561-565. PubMed

  2. Nguyen N, Afzal N, Min M, et al. A prospective, double-blinded, randomized head-to-head clinical trial of topical adapinoid (oleyl adapalenate) versus retinol. Skin Health and Disease. 2024;4(6):e469. PubMed

  3. Boira C, Chapuis E, Lapierre L, et al. Epigallocatechin Gallate Enzymatic Alpha Glucosylation Potentiates Its Skin-Lightening Activity — Involvement of Skin Microbiota. Molecules. 2024;29(22):5391. PubMed

  4. Kim HJ, Moon SH, Cho SH, Lee JD, Kim HS. Efficacy and Safety of Tranexamic Acid in Melasma: A Meta-analysis and Systematic Review. Acta Dermato-Venereologica. 2017;97(7):776-781. PubMed

  5. Atefi N, Dalvand B, Ghassemi M, Mehran G, Heydarian A. Therapeutic Effects of Topical Tranexamic Acid in Comparison with Hydroquinone in Treatment of Women with Melasma. Dermatology and Therapy. 2017;7(3):417-424. PubMed

  6. Taraz M, Niknam S, Ehsani AH. Tranexamic acid in treatment of melasma: A comprehensive review of clinical studies. Dermatologic Therapy. 2017;30(3):e12465. PubMed

  7. Calacattawi R, Alshahrani M, Aleid M, et al. Tranexamic acid as a therapeutic option for melasma management: meta-analysis and systematic review of randomized controlled trials. Journal of Dermatological Treatment. 2024;35(1):2361106. PubMed

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